Por Elenilson Nascimen
toTerra! Ar! Água! Fogo! Prometi para mim mesmo que quando o filme “Anjos e Demônios” estreasse eu não colocaria os meus pés no cinema, nem compraria DVD pirata, tudo devido a péssima impressão que o anterior da série(?) “O Código DaVinci” me deixou. Eu detestei “O Código...” e me recuso a devorar o livro, mas, ao contrário do primeiro, eu adorei – bem, adorar é um exagero – “Anjos e...” e vou ter que tomar vergonha na cara e financiar a leitura desse livro que espero baixe logo o preço. E se você é uma das dez pessoas do planeta que não assistiu ao filme “Anjos e...”, vamos lá:
É um filme em minha modesta opinião 1000% melhor que o “O Código...” que, por mais absurdo que possa parecer, transforma os telespectadores em especialistas em sucessão papal e que ainda introduz ao mundo o termo “camerlengo”. Achei que fosse mais fácil escrever a resenha aqui na LITERATURA CLANDESTINA, mas depois de quase três horas de sessão (*nem fique assustado, você nem sente, mas leve um lanchinho), vi que a tarefa seria complicada…Além de mim e uma senhora que roncava duas fileiras antes da minha, somente mais três pessoas estavam na sessão, resultado do mundo globalizado do “baixar tudo pirateado” pela internet e de “comprar cópia de péssima qualidade” no camelô mais próximo de você. Mais ainda bato o pé: nada substitui uma tarde no cinema! Exagero viu, tem uma coisa que substitui sim, mas só depois da tarde no cinema.
A TRAMA - No filme um papa morre, os candidatos favoritos para a sucessão são sequestrados pelos Illuminati (*uma antiga e até então extinta ordem secreta, que foi uma das muitas seitas perseguidas pela Igreja Católica na Idade Média e que estaria agora buscando vingança). Os Illuminati defendiam a ciência no lugar da religião, e no filme roubam um frasco de antimatéria para explodir o Vaticano. E sabe que achei até uma boa ideia? Explodir aquela p... com aqueles p... todos lá dentro!
Bom, o filme “Anjos e...” acerta onde “O Código...” errou. Este primeiro pecava pelo excesso de texto e na falta de ritmo, muitas vezes resumida descaradamente, o que me fez desistir de qualquer coisa ligada ao Dan Brown. Mas mesmo assim (*e com um final alternativo no DVD) muitos consideraram um bom filme, pois se propunha a adaptar uma obra de sucesso, não transcrevê-la na íntegra.
Já “Anjos e...” tem a fórmula reversa, caprichando demais nas cenas de ação muito bem ensaiadas (*eu adorei, coisa que anda em falta nos filmes de Hollywood) e deixando de lado o principal: os mistérios dos sinais e o peso da trama. Não senti a pressão do relógio para salvar os cardeais, por exemplo. Mas adoraria se o diretor deixasse a vaca ir para o brejo! O ritmo lento do “O Código” não se repete aqui, porém, o ritmo frenético deste me incomodou um pouco (*fiquei meio grogue), levando em conta que as cenas de ação acontecem uma após outra e ao que parece foram ao menos quatro clímax seguidos e as cenas de respiro entre elas não me soaram suficientes.
A TRAMA DENTRO DA TRAMA - Pelo o que eu conferi, muitas alterações na história foram feitas no enredo, que dividiram opiniões, mas que não comprometeram a obra em si. E novamente lembro que o filme se trata de uma adaptação. Fãs xiitas devem ir aos cinemas justamente com a mente aberta e pensando neste sentido – o que eu acho um pouco difícil. Como eu não tinha todos os detalhes da trama frescos na memória, o filme foi uma boa diversão.
Por vários momentos vi os meus cartões postais do Vaticano ilustrados na tela e isso me agradou demais, principalmente se você é como eu e o máximo de exterior que conhece é o Paraguai pelo Jornal Nacional. Tom Hanks novamente está no filme, lógico, mas não é o Tom Hanks dos épicos “Forrest Gump”, “Náufrago”, “Espera de Um Milagre” ou outro grande filme. Me pareceu um Tom Hanks de plástico em certos momentos…
E como a Polícia do Vaticano e a Guarda Suiça são impotentes para resolver o caso, chamam Robert Tom Hanks Langdon, simbologista e detetive particular, que depois do “O Código...” virou persona non grata no Vaticano. Mas partindo daí o modelo Dan Brown volta novamente: uma mocinha que é só adereço de cena, um assassino oculto, uma conspiração dentro da conspiração… mas quer saber? Dessa vez fizeram a p... dir
CIÊNCIA VS RELIGIÃO – O filme começa com cientistas no LHC em um experimento secreto tentando criar antimatéria. Nessa hora eu pensei que estivesse errado de filme, pensei estar assistindo algum filme HQ. Mas aparentemente esses cientistas são tão avançados que esqueceram das Leis da Termodinâmica (*aprendi um pouco no Cursinho, pois na Escola os professores não tiveram tempo).
Por outro lado, a adaptação continua verborrágica ao extremo (e não vejo aqui outra maneira de mostrar as conspirações da trama senão nos diálogos de seus personagens). Tom Hanks continua “mecânico”, sendo ofuscado pelos seus colegas de elenco. O excelente ator Ewan McGregor (foto abaixo), um dos nomes mais cotados na indústria de Hollywood, seja para grandes (“Star Wars: Episódio III” e “Moulin Rouge”) ou minúsculas produções (“A Ilha” e “Cova Rasa”) entra pra se divertir no papel do Carmelengo (*quem o imaginaria como um padre após assistir “Trainspotting”?) e acabou dando um banho. Adorei aquela cena em que ele joga um líquido no corpo e depois toca fogo. Pensei que o Lula deveria se inspirar nela. Mas o filme funciona, mais do que esperava. Possui locações belíssimas, fotografia inspirada e uma edição competente, entremeada por uma ótima seleção para a trilha de Hans Zimmer (“Cavaleiro das Trevas”), só aí já
TRADIÇÃO É TUDO – “Anjos e...” foi condenado pelo Vaticano antes mesmo de estrear nos cinemas: a Santa Sé aconselhou um boicote à produção – o que eu acho que deve ter sido uma jogada de marketing. Essa é a sequência de uma briga que começou em 2006, com o lançamento do "O Código..." que, conforme fonte, irritou a super-sensível igreja porque sugeria a hipótese de que Madalena e Jesus – CLIQUE AQUI – teriam tido uma filha. Isso deveria gerar protestos, cientistas ameaçando boicotar o filme, ameaças, certo?
Um dos efeitos interessantes e inusitados do filme é que deixa o espectador (*nem todos) com um respeito pela Igreja. A Tradição, os Rituais, dá pra entender porque sobreviveram por mais de 2000 anos como instituição. É mais ou menos como o Judaísmo, embora no caso todos os membros preservem ativamente a cultura e os rituais, já com os católicos um monte de gente se diz seguidor, mas nem lembra que papa veio antes de João Paulo II. As Tradições ficam a cargo do Alto Clero.
AS LOCAÇÕES – No filme, o diretor não pôde filmar dentro do Vaticano, nem nas igrejas, e a autorização para filmagem nas ruas de Roma foi tão limitada que o diretor usou o que ele chama de técnica de guerrilha: ataques rápidos e sem falhas. Mas tudo ficou tão eficiente que não poderia ter ficado melhor. O Tom Hanks lembrou numa entrevista que, no único dia em que eles poderiam filmar em frente a uma igreja, havia um casamento programado por lá. Como resultado, a noiva teve uma surpresa inesquecível.
O resultado final ficou com um filme bem mais ágil. As resoluções dos enigmas estão mais bem-feitas, Tom Hanks não dá uma de Mister M e não puxa da cartola resposta pra tudo, em compensação está mais sem graça do que nunca. Mas o filme é iluminado. Parece que descobriram que filmar em uma das mais belas cidades do mundo e só mostrar imagens noturnas e/ou de interiores é meio… desperdício.
Embora a ideia não deixe de me agradar, o filme faz com que fique claro a perda que tal explosão causaria. As igrejas são lindas, as estátuas magníficas. Se uma coisa de bom posso dizer da Igreja Católica é que não só pensam a longo prazo como possuem um magnífico senso estético, completamente ausente do bispo Edir Macedo e seus templos tenebrosamente feios e da galera do mal das Igrejas Renascer.
MELHOR CENA PRA MIM – Em minha incrível objetividade jornalística entrei no cinema decidido que UMA cena determinaria se o filme era bom ou não: quando Robert Tom Hanks Langdon consegue o acesso aos Arquivos do Vaticano (foto ao lado). Dá até pra sentir a respiração de prazer (*quase sexual) do Langdon parando, quando ele vê quilômetros de corredores repletos de tesouros históricos, livros não-abertos em centenas de anos, cópias únicas e inestimáveis de autores da antiguidade… a inveja ali foi imensa. Adoraria passar algumas dezenas de anos naqueles arquivos.
Desta vez o diretor parou de tratar o modelo Dan Brown de escrever sobre as Escrituras Sagradas e resolveu, sem dó, agilizar a trama fazendo algo impensável em Hollywood: adaptou uma cena de ação para que ficasse menos mentirosa (*a cena do cara caindo do céu de pára-quedas).
CONCLUSÃO – “Anjos e Demônios” vai mudar a História do Cinema? Não. Isso quer dizer que é ruim? Não. O filme é bom. Achei bem acima do “correto”, em alguns momentos ele empolga, principalmente nas cenas de ação com as músicas de Hans Zimmer. Robert Tom Hanks Langdon solta suas informações enciclopédicas sem ser chato, coisa que me irritou muito nos livros de Jô Soares. Ele também faz as piadinhas corretas no timing correto.
O filme é uma agradável mudança de cenário das perseguições em Los Angeles e dos tiroteios em New York, as duas únicas cidades dos Estados Unidos. Vale o ingresso. Resta esperar que finalmente acertem a mão em “The Lost Symbol” (*próximo livro do autor que irá virar filme) os produtores acertem a dosagem. Sim! Dependendo da bilheteria haverá um terceiro longa. O balança no final é positivo. Li várias críticas a respeito e serei benevolente. Não é o filme do ano, mas está longe de ser ignorado. Vai valer a meia entrada!
fotos: divulgação





6 comentários:
Cá entre nós: o Lula devia mesmo aderir à combustão voluntária. Excelente texto! RG (www.cronicasderg.blogspot.com)
REGULAR. O filme é uma obra interessante e vale à pena ser visto, principalmente, no sentido da grandiosidade dos locais de filmagens. Mas não aceito quando o BANDIDO depois de MATAR várias PESSOAS INOCENTES, está em frente aos MOCINHOS... Por favor, nunca coloquem o BANDIDO ARMADO em frente aos MOCINHOS desarmados, por favor.
Muito bom mesmo o filme, pois mostra como a igreja também pode ser manipuladora levam as pessoas para o "caminho de deus". Recomendo, pois mostra a verdade sobre as igrejas católicas.
Respeito todas as opiniões. Gosto realmente não se discute. Sinceramente, achei o filme chato. Sem dúvida, Tom Hanks é um excelente ator, mas não consigo vê-lo em filmes de ação, não dá pra engolir. Há centenas de atores veteranos que podiam substituí-lo. Pois bem, a trama conta com elementos de suspense e simbologia, recheados com humor na medida certa. Nesta história vemos novamente o personagem Robert Langdon que, um ano antes dos acontecimentos descritos em O Código Da Vinci, é chamado às pressas para interpretar um símbolo marcado a fogo no peito de um homem assassinado, pesquisador de um renomado laboratório europeu com sede na Suíça. O símbolo se revela ser dos Illuminati, uma fraternidade secreta muito antiga e que sempre mostrou ser rival da Igreja Católica. Chegou com muita propaganda, prometeu muito, mas decepcionou principalmente para aqueles que leram o livro. O filme pode não substituir o livro, mas pode ser uma adaptação tão boa quanto. Entretanto, apresenta bons efeitos especiais, figurinos e cenários. Esperava mais. Enfim, nota: 6,0.
Olá Elenilson!
Bom… em primeiro lugar vou te dar um conselho: leia o livro. Tendo só a projeção na sua mente pelas filmagens pode fazer com que você faça pouco do trabalho de Dan Brown.
Gostei do “Código” (livro), mas o filme oi deplorável.
Vou ao cinema conferir “Anjos e demônios” (o melhor livro do autos, na minha opinião) neste sábado e já estou preparado para encontrar uma bomba (e não só a antimatéria), pois já li em outras críticas que personagens chave da história não estão presentes no filme (como Vetra, o pai de Vittoria, físico e padre, pesquisador que tem como missão aproximar a religião e a ciência, e Kohler, um personagem realmente importanto no fim do lidro que foi meramente substituído) e até à sucata que fizeram do papel de Vittoria (já fui avisado de que sua participação foi muito reduzida, tanto que nem chamou a sua atenção a ponto de comentar na crítica).
Enfim, esperando que o dinheiro suma do meu bolso como se fosse anti-matéria talez eu ache o filme razoável, afinal, pra quem espera média 1, 2 é 200%, agor apra quem espera 10… espero que a pipoca compense.
Até mais!
Gosto muito do gênero policial, seja na leitura, seja no cinema e TV. No entanto, faço uso das palavras da Rô, Código de Vanci e Anjos e demônios têm uma atmosfera que não está me atraindo.
Zeca, sua visão de mundo é sempre muito interessante. Mesmo as vezes, para falar a verdade, poucas vezes, não concorde, tenho que admitir sua imensa disposição a encarar a vida de PEITO ABERTO, o que, para mim, é um desafio diário.
Estou atualizando a leitura de alguns posts anteriores, e estou maravilhada!
Navegar é preciso sim….
Abraço fraterno!
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