segunda-feira, 18 de maio de 2009

ANÁLISE DA INTELIGÊNCIA DE CRISTO

"Quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas.”
Por Elenilson Nascimento
Esta frase acima é atribuída a Jesus Cristo. Mas não adianta ir procurá-la na Bíblia. Ela não está em nenhum lugar dos Evangelhos – os únicos relatos "oficiais" da vida do "cara"que a Igreja considera autênticos. E porque será? Muitas coisas da curta passagem de Cristo por essas bandas ainda permanecem obscuras e a Igreja tem toda a culpa nisso, pois usar a religião como fator determinante para a alienação, para a manipulação e para a escravidão intelectual é uma questão primordial para a sobrevivência das Igrejas. E nisso as evangélicas estão sabendo muito bem gerenciar o rebanho. A citação acima faz parte de um outro evangelho – o de Tomé. Também não perca seu tempo procurando por esse livro no Novo Testamento. Não há por lá nenhum evangelho com o nome do mais cético dos apóstolos, aquele que queria "ver para crer".
Acontece que o texto de Tomé existe sim. E é um documento muito antigo - segundo alguns pesquisadores, tão antigo quanto os que estão na manipulada Bíblia. O "Evangelho de Tomé", assim como outras dezenas - ou centenas - de textos semelhantes, foi escrito por alguns dos primeiros cristãos, entre os séculos 1 e 3 da nossa era (*Super Interessante, dez/2004). Ele foi cultuado por muito tempo. Até que, em 325, sob o comando do imperador romano Constantino, a Igreja se reuniu na cidade de Nicéia, na atual Turquia, e definiu que, entre os inúmeros relatos sobre a vinda de Cristo que existiam, só quatro eram "inspirados" pelo filho de Deus - os "evangelhos canônicos". Muito conveniente isso, não é mesmo? Os outros foram chamados de "apócrifos" (*de legitimidade duvidosa). Estes foram proibidos, seus seguidores passaram a ser considerados hereges e muitos foram excomungados, perseguidos, presos. E tudo isso, em nome de Deus.
CRISTO, “O CARA” – No livro “Análise da Inteligência de Cristo”, do Augusto Cury (*que já foi resenhado aqui na LC, com “Nunca Desista de Seus Sonhos”CLIQUE AQUI), uma outra faceta de Cristo é descrita: “Crer ou não em suas palavras é uma questão pessoal, íntima, pois seus pensamentos fogem à investigação cientifica, extrapolam a esfera dos fenômenos observáveis”, comentou o autor. Cury é um avesso a entrevistas. Todavia, o seu sucesso como escritor, talvez se dê justamente por isso: mistério! Já neste livro, o autor demonstra como Cristo – que brilhou na sua inteligência, embora desde a infância tivesse sido castigado pela miséria – foi muito astucioso, mesmo tendo vivido em meio há ladrões, traidores, e várias pessoas que não estariam, segundo a Igreja, nos planos de Deus. Cristo era tão suficiente e sofisticado que, mesmo sabendo sobre seu destino, nunca culpou nem se revoltou com o fato. Admirava e ensinava a todos sobre o amor entre os humanos. Viveu sendo caçado e, porém, nunca se cansou de ajudar o homem a compreender seus erros e procurar desfazê-los. E segundo Cury, para escrever esse livro, teve que “pesquisar até aquilo que estava nas estrelinhas desses textos antigos”.
Cristo, para mim, é uma das figuras mais emblemáticas da história da humanidade e ao mesmo tempo uma das mais apaixonantes. Acho a sua história tão superficial, escabrosa e tão devorada pelos urubus das religiões que, muitas vezes, já cheguei ao ponto de duvidar de muitas coisas – como até hoje duvido. E agora, 2009 anos depois do seu nascimento, sua história continua fazendo um tremendo sucesso. Inspiram filmes milionários (como “Matrix” e a carnificina da “A Paixão de Cristo”) e best sellers (como “O Código Da Vinci” de Dan Brown, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de SaramagoCLIQUE AQUI , “Os Dez Mandamentos Para o Século XXI” de Fernando SavaterCLIQUE AQUI – e muitos outros). Sua história foi adotada por diversas seitas cristãs (ou não), gerou religiões, deu origem há teorias conspiratórias e é cada vez mais lida por fiéis do mundo todo, inclusive cristãos tradicionais (e não cristãos), que não vêm contradição entre alguns desses textos e a religião que eles seguem.
“Milhões de pessoas conseguem definir as partículas dos átomos que nunca viram, mas não conseguem compreender que a cor da pele, tão perceptível aos olhos não serve de parâmetro para distinguir duas pessoas da mesma espécie que possui o mesmo espetáculo da construção de pensamentos”, disse Cury no livro. E assim, talvez por acidente, algumas ideias dos apócrifos de Cristo sobreviveram ao tempo. E eu encontrei muitas dessas teorias na “Análise da Inteligência de Cristo”. Talvez a principal razão seja o fato de que os textos revelam mais sobre um Jesus mais humano. Um Jesus mais doce e menos pop star, onde os cristãos do mundo têm essa vontade louca de saber mais sobre esse “cara”, ainda que seja através de textos e análises que a Igreja não considera legítimos.
“Ele era tão sofisticado em sua inteligência que fazia psiquiatria e psicologia preventiva quando essas nem ensaiavam existir”. E, em várias partes do livro, Cury traz passagens reveladoras para aqueles que tentam enxergar o homem por trás do Deus criado (*e explorado) pela Igreja. É um Jesus mais humano, em situações mais próximas da vida de homens e mulheres de hoje. Um Jesus que “usava a memória como suporte” para fazer de muitos daqueles seguidores ignorantes uma refinada “casta de pensadores”. Segundo Cury, para Jesus, o mal é o que sai de dentro do ser humano e não o que está fora dele. Se bem que, o Pepeu Gomes já cantou isso também.
Se o cristianismo tradicional ignorava a importância do autoconhecimento, a ideia não é nova para nós, ocidentais do século 21. Freud, no século 19, trouxe para a ciência a ideia de que há algo para ser descoberto dentro de nós mesmos - no caso, o subconsciente - e que esse algo pode nos trazer conforto e felicidade. Coisa que Jesus também pregava. E talvez esteja aí - na herança freudiana - uma das explicações para o sucesso dos apócrifos nos tempos atuais e desse livro de Cury. Contudo, em “Análise da Inteligência de Cristo”, Cury pecou em não ter citado e/ou correlacionado o seu livro com os apócrifos. Muitos apócrifos pregam códigos de conduta menos rígidos que os do cristianismo tradicional. Numa passagem do "Evangelho de Maria Madalena", por exemplo, Cristo diz que "eu não deixei nenhuma ordem senão o que eu lhe ordenei, e eu não lhe dei nenhuma lei, como fez o legislador, para que não seja limitada por ela". Esse trecho parece contrariar a própria autoridade da Igreja. Mas, no livro de Cury, ele escreveu que: “A maneira como ele lidava com as intempéries emocionais, superava as dores da existência, desenvolvia a criatividade e abria as janelas da mente nas situações estressantes e é capaz, ainda hoje, de deixar os adeptos da inteligência emocional pasmados com tanta maturidade”. E eu ainda complemento, tudo isso num cara muito jovem.
No já citado “Evangelho de Tomé", também aparece um Jesus menos dado a imposições, que diz "não façais aquilo que detestais, pois todas as coisas são desveladas aos olhos do Céu". Bem diferente das aulas de catecismo, não? Cury escreveu que “um dos problemas que mais engessa a inteligência é a ditadura do preconceito”. E nisso eu concordo plenamente. Reparem bem, as pessoas mais preconceituosas, narcisistas e egocêntricas são aquelas ligas às religiões. Falo isso com propriedade, pois já trabalhei em colégios religiosos e já tive contato com evangélicos (*que são os piores) e sei muito bem do que estou falando. Se eles lessem e pesquisassem, como tão bem escreveu o Cury, talvez encontrasse a sabedoria. “À medida que adquirimos cultura, começamos a enxergar o mundo de acordo com os preconceitos históricos, ou seja, com os conceitos, paradigmas e parâmetros contidos nessa cultura”. Nada de culpa, portanto. Ele traz apenas charadas que convocam seus leitores a reflexões.
Segundo Cury, as biografias de Jesus evidenciam que ele era uma pessoa aberta e inclusiva. Não classificava as pessoas. Ninguém era indigno de se relacionar com ele, por pior que fosse o seu passado. Mas o que é que as Igrejas pregam? Reparem nas atuais missas e cultos evangélicos (alias, sempre foi assim): quem se encontra perto dos altares, ou seja, mais perto de Deus? São os carentes, os dependentes, ou pecadores? Claro que não.
Para as Igrejas somos apenas uma conta bancária, um título acadêmico, um status social que, além de tudo, eleva o nome de Cristo a semideus e mais nada. Mas, como disse Cury, as biografias de Cristo evidenciam muito mais que isso: que ele era uma pessoa aberta e inclusiva, ao contrário dos religiosos. Cury ainda evidencia que Jesus era mais democrático e menos sexista, mais tolerante e menos autoritário - características que combinam mais com os nossos dias. O livro elimina qualquer culpa e abre caminho para uma fé pessoal, algo que faz sucesso nestes tempos individualistas. Sem falar que ainda deixou uma charmosa aura de mistério, pois esta é uma sociedade que desconfia de qualquer instituição, então dizer que eles foram condenados pela Igreja vira um chamariz e tanto. Deu para entender por que detestar religião está tão na moda?
Se para a Igreja, os textos que não dão muita importância a crucificação de Cristo acabam proibidos, para Cury, eles apenas complementam a sua tese. “As ideias e intenções de Cristo, ao mesmo tempo em que representam uma belíssima poesia que qualquer ser humano gostaria de recitar, abalam a maneira como compreendemos a vida. Cristo não apenas chocou profundamente a cultura da sua época, mas, se tivesse vivido nos dias de hoje, também perturbaria a ciência e a cultura moderna”, escreveu Cury. Que cara interessante! Já imaginou Jesus apresentando um programa no lugar do Silvio Santos? Iria ser um sucesso.
TEXTOS PROIBIDOS – Cury se perde muitas vezes no livro ao citar somente os aspectos positivos de Jesus, ao invés, por exemplo, de escrever sobre os textos proibidos e o motivo da proibição. Mas afinal, a Igreja romana, que cresceu em meio a violentas perseguições, valorizava muito o martírio - associado ao martírio de Cristo. Os evangelhos dos tomesinos, por exemplo, que pregavam a busca individual pela salvação, também caíram fora da edição manipulada da Bíblia que conhecemos. A hipócrita hierarquizada Igreja de Roma obviamente não simpatizava com essas ideias libertárias. Entre os textos que foram proibidos, vários faziam parte das bibliotecas gnósticas. Para Eusébio de Cesária, que no século 4 escreveu o primeiro livro sobre a história do cristianismo, o gnosticismo estava sendo introduzido pelo demônio, "que odeia o que é Deus, que é inimigo da verdade, hostil í salvação do mundo, voltando todas suas forças contra a Igreja". Acredita-se que os manuscritos de Nag Hammadi sejam tesouros salvos da biblioteca gnóstica do Mosteiro de São Pacômio, que ficava lá perto. Ninguém sabe ao certo quantos evangelhos foram suprimidos. O que se sabe é que só quatro livros foram considerados "corretos". Apenas neles "o ensinamento das linhas de Deus é proclamado. Não acrescentem nada a eles, não deixem nada se afastar deles", segundo um decreto de um bispo de Alexandria. Daí para a frente, haveria quatro evangelhos. E, pela primeira vez, um só cristianismo. Cury, no entanto, resume conformadamente: “Quem pode questioná-lo? A história tem confirmado, ao logo das sucessivas gerações, que ele tinha razão?”
O livro fala ainda sobre Calígula, Jerusalém, o povo de Israel, Flávio Josefos (*um famoso historiador que viveu no século I desta era), a morte de judeus, a cúpula de Israel, a síndrome de Pilatos, Descartes, Aristóteles, Tomás de Aquino, Agostinho, Kant, Augusto Comte, Nietzsche, Einstein (*como um admirador de Jesus), ditadura do preconceito, Will Durat (*autor do famoso “História da Filosofia”), liberdade, identidade e independência. E ao mesmo tempo exclama: “São atípicos os paradoxos que envolvem a história de Cristo. Ninguém falou de amor como ele e, ao mesmo tempo, ninguém foi tão odiado como ele”. E ainda diz uma coisa bem pertinente: “Se, naquela época, em que a comunicação era restrita, que não havia a imprensa, ele era seguido por multidões, imagine nos dias de hoje”. Imagine Jesus escrevendo num blog? Imagine Jesus no Faustão cantando: "Erguei as mãos e dai glória a Deus...". Bom, eu acho que isso não. Ele teria o senso do ridículo.
PREGAÇÃO GNÓSTICA – Cury poderia ter trabalhado mais no livro com relação há pregação gnóstica, expressa em vários dos evangelhos apócrifos que diz o seguinte: “O mundo é mau por natureza, mas cada um de nós traz dentro de si uma centelha e, se atingirmos o conhecimento, iremos despertar”. Jesus veio a Terra para nos ensinar o caminho. Agora substitua nessa história o nome de Jesus pelo de Neo. E temos um dos maiores sucessos pop dos últimos anos, a trilogia “Matrix”. Sacou? ”Matrix” fez tanto sucesso porque toca num tema com o qual é difícil não se identificar: a sensação de não pertencer a esse mundo, de se sentir estranho nele, e de que ele é banal demais para nossas altas aspirações espirituais. Penso nisso todos os dias. Mas Cury deve ter percebido isso também, pois escreveu: “Tudo no universo organiza-se, desorganiza-se e reorganiza-se”.
É claro que seria um absurdo dizer que o sujeito que saiu do cinema empolgado com a saga dos irmãos Wachowski tenha sido tocado pelo mesmo tipo de revelação que os cristãos envolvidos pelas pregações gnósticas no século 2 ou 3. Mas talvez não seja por coincidência que o roteiro de ”Matrix”, inspirado por textos gnósticos, tenha soado tão transcendental . “Por vivermos numa sociedade doentia, onde prevalece a competição predatória, o individualismo, a crise de diálogo, criamos uma fabrica de estímulos negativos que cultivam o stress do homem animal”, escreveu Cury.
Marx também é citado no livro: “Um dos maiores erros intelectuais de Carl Marx por ter procurado criar uma sociedade pregando o ateísmo como massificação cultural”. E complementa: “Cristo colocou-se numa posição que a ciência jamais pôde atingir”. Uma coisa bem curiosa: “Quem se contamina com o vírus da auto-suficiência diminui a sua produção intelectual”. E ainda: “Se o homem não for o agente modificador da sua história, se não a reescrever com maturidade, certamente será vítima dos invernos existenciais”, pois “...muitos fazem de suas emoções depósitos de lixo”.
Em suma, o livro é bem interessante. Não é uma obra destinada há religiosos fanáticos e evangélicos alienados. É uma obra educativa, com uma linguagem simples (sem afetação lingüística, ou seja, sem palavras difíceis para mostrar inteligência). Só não entendi o que o Cury quis dizer como Jesus quer ter “amigos finitos”. Será que ele queria dá uma de Roberto Carlos e ter só um milhão de amigos? Como que ele era tão cronológico se, como disse o próprio Cury, “nunca alguém exaltou tanto as pessoas tão desprezadas. Nunca alguém incluiu tanto as pessoas tão excluídas". E como disse Cury no finalzinho do livro: “Com o pode alguém dizer que tem o segredo da eternidade e se humilhar a ponto de lavar os pés de simples pescadores que não tinham qualquer qualificação social ou intelectual?”. Bom, as Igrejas deveriam conferir esse livro! (“ANÁLISE DA INTELIGENCIA DE CRISTO” de Augusto Jorge Cury, 230 págs. biografia, 3ª edição – Editora Academia de Inteligência)
>>> CLIQUE AQUI e confira algumas paródias da famosa pintura “Santa Ceia” ou “Última Ceia de Jesus com seus Apóstolos”, de Leonardo Da Vinci.

19 comentários:

Ana disse...

Acho que a frase que a moça segura no cartaz verde diz tudo.

Ana disse...

Eu consegui fazer a moça segurar a frase, e não o cartaz! ahahaha!

anafilatico disse...

JESUS COM CERTEZA É A PESSOA QUE MARCOU O MUNDO, TANTO QUE O TEMPO ESTÁ DIVIDIDO EM ANTES DE CRISTO E DEPOIS DE CRISTO. EMBORA COM SUA IMAGEM MANIPULADA JESUS TRÁS MENSAGEM DE PAZ. E A IDEIA DE AUTO-CONHECIMENTO PARA A BUSCA DA FELICIDADE MOSTRA QUE POSSUIA UMA INTELIGÊNCIA SENSÍVEL. É ÓBVIO QUE PARA A IGREJA ESSA IDÉIA DE AUTO-SUFICIÊNCIA NÃO LHE AGRADA POIS NECESSITA QUE DEPENDÊNCIA EMOCIONAL E ESPIRITUAL DE SEUS FIÉS

Cecília disse...

Olá, Elenilson. Além de emblemático, teria sido Jesus um revolucionário? A Zahar acabou de lançar um livro que acho que pode te interessar - "Jesus Cristo, Os Evangelhos". O livro é uma releitura dos quatro Evangelhos canônicos por um filósofo e crítico literário. Na página do livro d[a pra ler um trechinho - http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=1276
Abraços

Elenilson Nascimento disse...

Obrigado Cecília. Vou conferir sim.

RG disse...

Primeira vez aqui. Elenilson é um iconoclasta dos bons! Estou começando na net:

http://cronicasderg.blogspot.com/

Elenilson Nascimento disse...

Seja bem vindo. RG!

Paulo Fernando disse...

"Freud, no século 19, trouxe para a ciência a ideia de que há algo para ser descoberto dentro de nós mesmos - no caso, o 'subconsciente' - e que esse algo pode nos trazer conforto e felicidade. Coisa que Jesus também pregava".

Elenilson, o objetivo da psicanálise - e creio também que do verdadeiro cristianismo - é o desvelamento do inconsciente, e não do subconsciente, como você diz. O subconsciente é uma estado intermediário da consciência, enquanto o inconsciente é onde fica armazenado todo material psíquico.

Renata Almeida disse...

Paulo, o objetivo da psicanálise é promover a ajuda ao paciente por meio da psicoterapia.
Fazer com que ele tenha uma visão realista e objetiva de seu interior e aceitar-se como indivíduo e entender seu papel no mundo, afirmar-se como ser humano, aprender a superar seus traumas e aprender como lidar com os problemas do quotidiano.Em certo ponto o texto da Literatura Calndestina do Elenilson Nascimento tem razão. Jesus era um psiquiatra, antesm esmo disso exirtir.

P. Henrique disse...

*ajudar o paciente a encontrar por si mesmo os problemas inconscientes que o perturbam.
aprender a lidar com os sintomas do inconsciente, já que seu conteúdo é inexplorável. COMPLEMENTANDO O TEXTO

Isaura disse...

O relato seria o seguinte: Freud era um neurologista que não era voltado para o psíquico ou psicossomático, mas sim para a visão física e biológica das doenças. Numa viagem a Paris foi influenciado por Charcot quanto à teoria de predominância de fatores psicossomáticos. Freud ficou impactado. Era inseguro e sempre seguiu mentores ou líderes, apesar de ter personalidade carismática. E os três mentores que ele seguiu... erraram. Charcot e Freud viveram na chamada "idade média da diagnose" (um período escuro de muita especulação). Charcot era auto-suficiente e Freud megalomaníaco, depressivo e, sob pretexto médico, aficcionado ao uso da cocaína. Foi um "evangelista" do uso da cocaína. Tinha fortes instintos messiânicos de auto-engano (chegou a se comparar a Moisés). Assumiu a teoria de Charcot, que continuaria a teorizar com Breuer, e passou a buscar, com determinação, uma "roupa" do tamanho e formas do seu "manequim" teórico. A largada, pois, é totalmente anti-científica, pois a teorização veio antes dos fatos (primeiro cai a maçã no chão, depois o cientista fundamenta a exposição lógica e sistematizada da lei da gravidade; essa sim é a seqüência certa).

Rubem Alves disse...

Ver não é o bastante. O assombro das coisas vistas provoca o pensamento. Queremos entender o que vemos. As crianças não se cansam de perguntar: ‘Por quê?’ Os olhos buscam o entendimento, a razão. Aristóteles estava certo ao iniciar a sua Metafísica dizendo que ‘todos nós temos, naturalmente, o desejo de entender.’ Mas, é claro, o desejo de entender, que freqüentemente tem o nome de curiosidade, só aparece quando a inteligência é espicaçada pelo assombroso das coisas. Se não houver essa experiência de assombro a inteligência fica dormindo. O educador é um mostrador de assombros. Tudo é assombroso. Por exemplo: os flamboyants floridos pela cidade, fogo saindo das flores, grande incêndio. Pergunto: Que professor levou seus alunos a ver os flamboyants incendiados? Primeiro, o prazer estético diante do assombroso. Depois, o prazer de compreender. Mas, para compreender, é preciso pensar. O pensamento é um filho do assombroso. Quando passamos do assombro das coisas para o desejo de pensar, passamos do visível para o invisível. Compreender é ver o invisível. Foi assim que nasceram as ciências. Copérnico: primeiro, o assombro dos céus estrelados; depois a compreensão matemática (invisível!) dos movimentos das estrelas. Darwin: primeiro, o assombro diante da variedade das espécies vegetais e animais; depois, a compreensão (invisível!) da sua origem.

Eduardo Vinicius disse...

Prezado Sr. Elenilson Nascimento,

A conexão entre psicanálise e marxismo está muito presente em eventos que uns realizam, no Brasil, uns com o apoio dos outros. Submeto-lhe uma abordagem que fiz do problema:

A estupidez dos métodos psicanalíticos se reflete na orientação prescrita pelo Dr. Bruno Bettelheim, em seu livro A Fortaleza Vazia:

"Não a levávamos ao banheiro várias vezes ao dia, como fora costume em casa. Encorajamo-la a defecar a vontade, estivesse onde estivesse." E acrescenta: "Laurie urinou quando se encontrava sentada no colo de uma terapeuta. Como aquela não se importasse e até se mostrasse satisfeita, ficou muito feliz. A partir dai urinava com freqüência no colo das conselheiras, com prazer evidente."

Além de deseducar a paciente, ainda vai mais longe: estimula a nojenta manipulação das fezes pois, segundo ele, "certamente a defecação pode constituir um presente que a criança dá à mãe". Relata ele que "Laurie tornou-se mais ativa e ousada na manipulação das fezes, espalhando-a pelo corpo e pelas mãos" e prossegue "Ao retirar as fezes das suas calças, adquiriu uma certa liberdade na sua manipulação." O objetivo declarado era permitir ao paciente a distinção entre o "eu" e o "não eu".

Esse inacreditável tratamento foi aplicado ao autista X, filha de Ana Luzia, pela psicanalista M. Eugênia, então no Instituto Santa Úrsula. O menino era estimulado a brincar com suas fezes, que espalhava pelo corpo, pelo chão e pelas paredes, numa cena tétrica, sob um fedor nauseabundo. É o que poderíamos denominar, com inteira propriedade e em todos os sentidos de "uma terapia de merda".

Numa outra prática terapêutica, usada em algumas instituições psiquiátricas americanas, para tratamento de criminosos sexuais, "o agressor precisa gravar uma fita narrando suas fantasias sexuais, enquanto se masturba, esfregando um líquido no pênis, de modo que o médico possa ouvir a masturbação na fita. Numa segunda gravação ele narra fantasias impróprias, depois de ter descrito as fantasias consideradas normais." (* Matthew Stadler, O agressor Sexual.)

Ronaldo disse...

"Para as Igrejas somos apenas uma conta bancária, um título acadêmico, um status social " Elenilson, vc disse tudo!

Lincoln Campos de Carvalho disse...

Caro Elenilson,

Tamanha riqueza de informações e tão profícuo debate, prefiro nem comentar. Fico com o "assombro" de conhecer e descobrir o "invisível", como citou Rubem Alves.

Repito a pregação gnóstica:

“O mundo é mau por natureza, mas cada um de nós traz dentro de si uma centelha e, se atingirmos o conhecimento, iremos despertar”.

É uma honra poder navegar por aqui!

Obrigado por contribuir para a ampliação da minha consciência e inspirar-me a criar, cada vez mais longe das imposições e dos bloqueios humanos.

Grande abraço,

Lincoln Campos de Carvalho (poeta)

Lincoln Campos de Carvalho disse...

Ah... tomei a liberdade de utilizar uma foto do seu post no meu blog, já que ela própia traz a fonte, ok? Além de achar a imagem maravilhosa, a intenção é também divulgar o seu (ótimo) blog.

Lincoln Campos de Carvalho disse...

Corrigindo o erro de digitação do comentário anterior: "própria".

Elenilson Nascimento disse...

Lincoln Campos de Carvalho, seja bem vindo!!!!

Gabriella Lima disse...

Augusto Cury é luxo! Já li muitas obras dele e gosto muito. Bela resenha ^^