sexta-feira, 6 de março de 2009

CHEFES DOS “CAPITÃES DO MATO” SÃO PRESOS

"Polícia que mata cidadão comum para depois perguntar ao morto se ele era ladrão... Polícia que faz barbaridades com o intuito de mostrar poder... Polícia que prende polícia... Polícia que solta ladrão... Polícia sem noção... capitães do mato sem chicote e de arma na mão."
Por Elenilson Nascimento
ACUSADOS: Sérgio Alberto Silva Barbosa, ex-comandante do Corpo de Bombeiros e Jorge Ribeiro de Santana, ex-comandante-geral da PM.

Estamos todos perdidos. Estamos jogados às traças. Quem pensa que na Bahia está tudo uma maravilha, como pinta os meios de comunicação orquestrados pelo governo PT de Jaques Wagner e pela gestão incompotente do reeleito “prefeito-evangélico-baba-ovo” João Henrique, está precisando tomar um Lexotan para acordar, como a Alice no País das Maravilhas.
A fama do Brasil na imprensa estrangeira já não é muito boa, e na Bahia a coisa desanda todos os dias. O país é associado à destruição das florestas, violência contra a mulher, a violência em níveis intoleráveis, prostituição infantil, ao trabalho escravo em pleno século XXI, tráfico internacional de mulheres e drogas, a doenças endêmicas e à violação de direitos humanos.
Com esse calor subsaariano da Bahia no alto verão e diante das eternas notícias imbecis (*bastidores do carnaval) e violentas (*insegurança pública) que mais uma vez compuseram o repertório da semana, o desejo irrealizável do trabalhador desencantado é o de esquecer toda e qualquer informação outra veiculada, seja sob a forma de imagens ou de letras impressas, e ficar tão somente com uma delas, diante da qual é inevitável perguntar: como os baianos ainda sobrevivem?
Salvador, por exemplo, vem sofrendo constantemente com a violência e não só os moradores de bairros periféricos, usados com sensacionalismo em programas de baixo nível (*equivocadamente apresentados nas TVs baianas), são os alvos dessa guerra entre polícia e bandidos. Porém, nesta sexta-feira, 06/03, fomos surpreendidos com mais um caso de corrupção, dessa vez protagonizado pelo alto escalão da Polícia Militar da Bahia que resultou na prisão (*ate quando?) de 12 pessoas, entre elas três coronéis: o ex-comandante da PM no estado, Antônio Jorge Ribeiro Santana; o ex-comandante do Corpo de Bombeiros, Sérgio Barbosa, e Jorge Silva Ramos, do Departamento de Apoio Logístico da PM (DAL). Todos acusados de envolvimento num esquema fraudulento na compra de viaturas.

O ex-comandante Santana (na foto acima com Jorge Ramos verificando viaturas no pátio da PM, compradas com super faturamento), por exemplo, foi preso em flagrante, pela Polícia Civil, sob a acusação de envolvimento com corrupção durante a licitação para a compra de 191 viaturas recentemente incorporadas à frota da PM. O militar teria sido flagrado quando recebia a bagatela de R$26 mil referente a uma parcela da propina, além dos já citados ex-comandante Barbosa e do coronel Ramos. Todos detidos por corrupção.

No total, 12 pessoas foram presas durante a operação ''Nêmesis'' realizada pelo serviço de inteligência da Secretaria da Segurança Pública. O mega-esquema de corrupção foi intermediado por Gracílio Junqueira Santos e envolve a empresa paulista Júlio Simões, vencedora do processo licitatório das viaturas. O contrato inicial foi de R$ 25.819.977, sendo aditivado em R$ 6.454.994,25, perfazendo o total de R$ 32.274.971,25. Ou seja, uma margem de lucro bem acima da media para os bolsos dos militares.
PRISÃO - A notícia das prisões se espalhou pela cidade toda e logo tornou grande a movimentação de representantes da Associação dos Policiais Militares, da Procuradoria do Estado, promotores públicos, advogados dos acusados e muitos jornalistas na Secretaria de Segurança Pública, no CAB, onde os acusados prestavam depoimento. Logo depois, os militares foram encaminhados ao Comando Geral da PM, onde permanecem detidos. Os demais envolvidos estão sob custódia da Polícia Civil. Eles responderão por corrupção e formação de quadrilha.

Os comandante Mascarenhas e César Nunes apresentam as provas

O ESQUEMA – Segundo afirmou Nunes, em entrevista ao lado do atual comandante-geral da PM, Nilton Mascarenhas, e do chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, as investigações começaram após a suspeita de superfaturamento no contrato da compra com gestão (*quando o fornecedor fica responsável pela manutenção do bem vendido), de 191 viaturas para a PM, licitação de dezembro de 2007, vencida pela Júlio Simões, pelo valor de R$ 25,8 milhões. “Já foi estranho, pois o valor máximo deveria ser 23 milhões”, explicou Nunes.

Até o contrato ser assinado, em fevereiro, houve um aditamento de R$ 6,4 milhões. “Quando investigávamos este contrato, descobrimos que várias outras compras e locações eram feitas mediante propina, como aquisição de fardamento. Constatamos que tudo que foi comprado pela PM, nesses cinco meses, teve corrupção”, relatou Nunes. As viaturas começaram a ser entregues em julho; em agosto, o coronel Santana foi exonerado do cargo pelo governador Jaques Wagner, que alegou o aumento da violência como motivo para a substituí-lo. “Em agosto, seria a primeira parcela do contrato. Como surgiu a suspeita, o pagamento não foi feito, e em setembro já estávamos investigando, em sigilo”, disse Nunes.

Ontem, sem saber que eram monitorados, dois emissários chegaram ao Aeroporto de Salvador, sacaram dinheiro no Bradesco do Iguatemi, e seguiram para o escritório de Gracílio, no Edf. Cidade do Salvador, no Comércio. Por volta do meio-dia, após a chegada do coronel Santana, a polícia entrou no prédio, prendeu primeiro os dois paulistas, depois o oficial e Gracilio. “O coronel estava com R$ 26 mil e o lobista com R$ 21 mil, já no bolso”, afirmou Nunes.
E, como se diz por aqui, depois de mais um assalto numa esquina fedorenta do Pelourinho ou numa praia cheia de lixo em Itaparica, dessa vez seguido de morte, na marina da ilha, decidiu-se que é hora de implantar métodos do velho oeste na “kubanacan baiana”, citando a jornalista Malu Fontes. A Itaparica citada nos livros de João Ubaldo Ribeiro não existe mais e há anos sofre de um abandono múltiplo e crônico de todos os poderes. Um coronel chamado Magalhães (*nada a ver com o defunto ACM) chegou apontado as armas e metendo medo geral. E diante das câmeras de TVs, o xerife ressuscitado em Itaparica garantiu que, em um mês, a criminalidade na Ilha seria reduzida à metade. Bandidos, correi-vos que o chumbo agora é grosso, o sistema é bruto e o aviso foi claro.

E embora o assunto e o contexto no final desse post nada tivessem a ver com o que eu escrevi a seguir, esse Magalhães expôs também seus conceitos sobre mulheres versus segurança pública. Segundo ele, mulher só pode ser delegada se for de delegacia do consumidor ou de proteção ao turista. Ah, tá. É recado cifrado para alguma delegada ou ex ou apenas uma mera manifestação ideológica? Mas, a verdade é que, na Bahia, salvo raras exceções, estamos todos perdidos. Polícia que mata cidadão comum para depois perguntar ao morto se ele era ladrão... Polícia que faz barbaridades com o intuito de mostrar poder... Polícia que prende polícia... Polícia que salta ladrão... Polícia sem noção... capitães do mato sem chicote e de arma na mão.

>>> Envolvidos:
- Coronel Jorge Santana: Ex-comandante da PM - Coronel Sérgio Alberto Barbosa: Ex-comandante do Corpo de Bombeiros - Coronel Jorge Silva Ramos: Diretor de Apoio Logístico da PM - Tenente Antônio Durval Senna Junior - André Thadeu Franco Bahia: Procurador - Gracílio Junqueira Santos: Lobista - William Laviola e Jaime Palaia Sica: Grupo Júlio Simões - Aidano da Silva Portugal, Aline Cerqueira de Castro, Jocélia Fernandes Oliveira e Sidnei Couto de Jesus

>>> CLIQUE AQUI e ouça o comentário do apresentador da Radio Metropole Mario Kertesz sobre o caso de corrupção da PM, operaçao Satiagraha, sobre as obras que nunca acabam do metro de Salvador, dentre outros assuntos: 09/03/2009 - Mario Kertész
foto 1: Marco Aurélio Martins/ A Tarde
demais fotos: Almiro Lopes/Correio da Bahia

1 comentários:

Salvador disse...

Ainda bem que tem também coisas boas em Salvador!