quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

RASPAS E RESTOS DE UMA JUVENTUDE PERDIDA

“Leis que não punem com rigor a essas ilicitudes, leis que derivam para a parcialidade, leis que culminam em calmaria que não levam a lugar nenhum, leis que por não educar, encharcam de mazelas a sociedade.”
Por Varley Farias Rodrig
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É notório que os valores morais foram por água abaixo há muito tempo e veem (*olha o Acordo Ortográfico aqui!) sendo afogados cotidianamente no oceano das nossas imperfeições com a aquiescência das famílias que não percebem – ou não querem perceber – seja por comodidade, seja por desleixo, seja por incapacidade – a tragédia a que se submetem.
Como base imprescindível da formação do caráter do individuo, a família exerce a sua ação ao educar e como toda ação tem uma correspondente reação.
Uma reação oriunda do aperfeiçoamento da natureza do homem, nos aspectos intelectual, afetivo e prático. Junte-se ao descaso familiar, uma Justiça também incapaz, que acaba colaborando para levar as abissais profundezas esses valores quando, sob sua tutela, mantém “leis frouxas” e “capengas” originadas de mentes que, alheias aos fatos cotidianos, se trancam nos seus cômodos escritórios para assistir nos noticiários diários as verdadeiras tragédias da sociedade, sem que uma gota sequer de responsabilidade lhe seja imputada num presumível momento de lucidez.
Os senhores fazedores de leis, artífices dessa sociedade, usam dois pesos para as mesmas medidas, quando por um lado, permitem a livre vinculação de propaganda de bebidas na mídia televisiva – mídia excessivamente de massa – e que, por outro lado, pregam um combate armado à cocaína, ao crack, ao exctasy, a maconha, dentre outros. Ora, não precisa ser nenhum químico, médico ou ter qualquer qualificação profissional para concluir o que é fato. Todos são drogas, como também o cigarro e a bebida. Todos viciam e matam, portanto, devem ser taxados como ilícitas e combatidas igualmente. Coisa que raramente acontece.
O fato preocupante é que a sociedade que vive entre drogas “licitas” e “ilícitas” vai vendo a sua juventude embarcando cada vez mais nessa nau de vícios que raramente permite que um ou outro salte do seu convés com vida. Agora, vemos que esses jovens carentes, por não terem tido uma bússola familiar de berço que os guiassem com sabedoria para que no percurso da vida não se perdesse nos oceanos revoltos dos vícios, se veem embarcando em literais orgias náuticas, regadas por coquetéis de bebidas e drogas.
Universitários inconsequentes, promissores profissionais, que durante meses amealhando valores, aderem às devassidões dessas viagens sem perceberem que pagam para morrer. Entreguem aos tubarões, esses jovens são devorados entre goles de bebidas misturadas e a fumaça mortal das drogas. Ambas, tanto as licitas como as ilícitas, teem livre acesso nessas viagens, aliás, parece ser condição “sine qua non".
A força da moeda nacional vem atraindo de alguns anos para cá a atenção das empresas de cruzeiros marítimos que, visando única e exclusivamente o lucro, fazem vistas grossas e permitem o embarque de toda sorte de tripulantes e seus vícios. E, a meu ver, essas empresas deveriam ser responsabilizadas criminalmente, porque são responsáveis também pelo o que ocorre nas dependências de suas naus de bacanais.
Não bastassem ver nossos jovens matando e morrendo em terra firme, nos sinais, nas favelas, nas ruas e avenidas e até dentro dos próprios lares, agora, vemos também que o luxo das gigantescas embarcações cheias de atrativos inimagináveis que transportam a mesma violência. Tanto em terra firme quanto no chão que flutua sobre as águas, são apenas lugares onde imperam a estupidez humana e a sociedade vai vendo seus valores se enferrujando, sentindo o enjôo de uma justiça que navega na contramão das correntes do bom senso.
Leis que não punem com rigor a essas ilicitudes, leis que derivam para a parcialidade, leis que culminam em calmaria que não levam a lugar nenhum, leis que por não educar, encharcam de mazelas a sociedade. São essas as ações que a justiça promove e como consequência surgem suas reações correspondentes.
Somos testemunhas que uma lei mais áspera pode sim propiciar alguns anos há mais de vida aos cidadãos e, como exemplo, cito a lei seca tão odiada, mas que em alguns meses, já evitou que sabe-se lá quantas vidas fossem abreviadas.
A minha consternação, o que me causa também abatimento, é que a mídia em geral continua tomando partido, dando ênfase a uma notícia em detrimento de outras. O que nos faz pensar que essa parcialidade tem preço e como a família da periferia que teve seu filho (inconseqüente) morto por ter entrado no submundo das drogas não tem recursos, a divulgação da sua morte então deve dá lugar a morte do abastado, não menos inconsequente, que perdeu a vida em mais uma orgia náutica e que morreu da mesma maneira do outro. Acho que ambas devem ter o mesmo peso, porque ambos os personagens dessa mesma tragédia urbana, tiveram na verdade os mesmo algozes. Justiça e família.
E para fechar a semana trágica, como tantas que vivemos, quedamos entristecidos com o desfecho do caso da bela Mariana Bridi (foto ao lado), modelo de apenas 20 anos, que morreu após uma infecção generalizada. Mariana, vítima de uma bactéria, teve suas mãos e pés amputados antes de morrer.
De acordo com o infectologista Caio Rosenthal, do hospital Albert Einstein, não é comum que casos de infecção por pseudomonas evoluam para a amputação dos membros. “A necrose acontece quando a bactéria causa uma infecção tão grave que impede que o fluxo sanguíneo atinja extremidades", explicou Rosenthal, que diz que a pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum nas infecções urinárias.
Não me admiraria se o fato das amputações dos membros superiores e inferiores da jovem modelo fossem mais um caso como tantos outros de erro médico, como também o fato de que a infecção tenha se generalizada. Imperícia? Incompetência? Descaso com a vida humana? Fatalidade? Seja o que for, deve ser apurado, porque embora a vida humana esteja valendo quase nada, diante da banalização da violência, deve-se descobrir de quem é a culpa, mesmo que a justiça com suas leis frouxas, promova indultos ou outras formas de abrir as grades das prisões, incentivando assim as mais diversas perversidades humanas.

>>> O que acontece quando você junta mais de 2 mil jovens universitários, muita bebida, drogas, shows de axé, pagode, forró e trance e joga tudo dentro de um navio? Dê uma olhada no vídeo de um dos shows durante a quarta edição do Cruzeiro Universitário, no navio MSC Opera, que resultou na morte de uma bela menina de 20 anos. Abaixo o pessoal ainda parece comportado:


Aqui uma universitária “dando” uma de Cicarelli na piscina…


* Varley Farias Rodrigues é escritor. Contato: vfarias2005@hotmail.com
foto 1: cena do filme “Bicho de Sete Cabeças”
foto2: divulgaçao

1 comentários:

Jussilene Santana disse...

oi, elenilson, me manda as perguntas para junesantana@gmail.com e a gente conversa melhor.
grande abraço!