“Os atores fizeram preparação de voz para ganhar aquele sotaque baiano insuportável que a Globo ainda teima em colocar nas suas produções (*na Bahia ninguém fala daquele jeito, porra!).”Por Elenilson Nasciment
oApós o especial sobre
Cazuza e
Claudinho, da dupla
Claudinho & Buchecha, o programa
“Por Toda Minha Vida” (Globo) trouxe à tona ontem, 03/12, a tumultuada vida do baiano
Raul Seixas, o “maluco beleza” que saiu da Bahia para investir na carreira musical. Raul (1945-1989) é um dos maiores mitos nacionais e referência de muitos artistas ainda hoje. E isso ninguém pode contestar, até mesmo aqueles que não engordam as hordas de fanáticos que o idolatram como o maior letrista do país. Mas, com sempre, demorou para que o baiano ganhasse uma homenagem num especial na TV Globo, que já biografou
Elis Regina, Tim Maia, Renato Russo, Chacrinha e
Dolores Duran.
Dirigido por
João Jardim (de
“Janela da Alma”), o programa foi protagonizado por
Júlio Andrade (*o
Patrício, da novela
“Ciranda de Pedra”) e reuniu, como os outros, imagens de arquivo, reconstituições e depoimentos de familiares (até o irmão de Raul,
Plínio Seixas) e amigos como o
Paulo Coelho, Roberto Menescal, Nelson Motta, Jerry Adriane, o pessoal dos
Panteras, Marcelo Nova, ex-produtores, as ex-mulheres (*como a
Kika Seixas que é responsável pelo patrimônio artístico do ex-marido), as filhas, em especial a toda tatuada, super simpática e DJ
Vivian Seixas (foto linda, abaixo). A história do
“Capitão Garfo” eu chorei horrores. Venderia a minha alma pra ter tido um pai como Raul.

O especial enfatizou que quando era adolescente e não estava em uma boa fase na escola, Raul resolveu se arriscar: pegou um boletim em branco e preencheu o papel com boas notas para não levar bronca dos pais. Em vez de ir às aulas, ele queria mesmo era assistir aos filmes de
Elvis. Na pele do jovem e espertinho Raul está o garoto
Rafael Almeida, que fez preparação de voz para ganhar aquele sotaque baiano insuportável que a Globo ainda teima em colocar nas suas produções (*na Bahia ninguém fala daquele jeito, porra!).
O programa contou como foi o começo, aos 17 anos, com a banda
Relâmpagos do Rock, quando teve de lidar com a oposição da família e, mais tarde, com as dificuldades de se lançar no Rio de Janeiro. Raul casou cinco vezes, teve três filhas e morreu sozinho em seu apartamento, em 21 de agosto de 1989, aos 44 anos, por complicações de diabetes e do alcoolismo.

Foi usando uma técnica comum em Hollywood que o artista plástico Glauber Brilhante transformou Júlio Andrade em Raul.
E muito antes de ser o escritor vivo mais traduzido (67 línguas) mundo afora, com cem milhões de livros vendidos em 160 países,
Paulo Coelho, 61, foi parceiro de Raul numa época de muito sexo, drogas e rock'n'roll (ui!). Pelos resultados, percebe-se que a química deu mais do que certo. Fundaram uma sociedade alternativa (a
Krig-Ha) e até, dizem as lendas, se envolveram com o diabo. Mas, acima de tudo, fizeram música. Cerca de 30, entre elas os sucessos
“A maçã”, “Al Capone”, “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita”, “Sociedade alternativa” e
“Tente outra vez”, hoje, clássicos do rock nacional.
Das muitas histórias que coleciona da relação com Raul, uma em especial Paulo Coelho guarda com um certo amargor na boca. Foi em 1974, no auge da ditadura militar, quando caiu na besteira de proclamar a anarquia como estilo de vida ideal no meio de um show de Raul. Os dois foram presos, claro. Em cana um mês, Paulo foi severamente torturado, largado, completamente nu, numa cela escura, com o ar-condicionado ligado no máximo, onde havia o som constante de uma sirene apitando em volume altíssimo. Mas no programa ele confessou que foi Raul quem sugeriu que ele mudasse o foco dos seus livros (*eu acho que ele estava falando do
“Diário de um Mago”) para uma linguagem mais popular e deu no que deu. Hoje, Coelho está na
ABL. Porra Raul, venha aqui falar comigo também. Eu faço tudo o que você mandar! Mas uma pena que no programa não foi citado nada sobre o
Ed Star e também não fizeram mais locações em Salvador. Coisas da Globo... P.S. Baixe esse especial pelo
YouTube, com uma qualidade boa.
Paulo Coelho foi parceiro de Raul Seixas numa época de muito sexo, drogas e rock'n'roll (ui!).
fotos: divulgação